quarta-feira, 20 de setembro de 2017

UMA DAS HISTÓRIAS MAIS BONITAS QUE JÁ CRIARAM

Publico hoje um texto da Elis, que é filha de um professor e pesquisador de quem gosto muito. Foi ele quem me enviou o texto. "Babão" não é adjetivo suficiente para definir o orgulho que ele sente da filha, que tem apenas 11 anos e já faz parte do coletivo feminista da sua escola.

A mãe fala para o garotinho que não tinha mais de 7 anos: 
- Filho, vem cá, quero te contar uma história.
O garoto vai até a mãe e senta ao seu lado, então fala:
- Pode contar, mãe.
Depois de alguns segundos a mãe começa:
- Era uma vez há não muito tempo, e em um lugar não tão distante, duas garotas, uma se chamava Camz e a outra Lolo.
Camz era uma latina de cabelos longos e olhos castanhos, mas não eram castanhos comuns, eram castanhos que se pareciam com chocolate, e seus olhos levavam qualquer um que olhasse para outra dimensão, uma dimensão onde as pessoas eram felizes, e ninguém julgava ninguém.
Lolo era americana com cabelos longos e seus olhos eram verdes, não verdes comuns e sim verdes que pareciam esmeraldas, verdes que te deixavam hipnotizado só de olhar.
Essas duas garotas se amavam, porém não podiam se amar...
Elas tentavam deixar o amor escondido, e só demonstrá-lo longe de todos, em um lugar que ninguém as julgasse.
Só que elas não conseguiam deixar esse amor tão escondido, então toda vez que se viam e que não estavam sozinhas trocavam olhares, frases com segundas intenções, e de vez em quando algumas poucas carícias.
Elas queriam esconder aquilo que todos já suspeitavam...
Depois de muito tempo vivendo às escondidas Camz falou:
- Eu ainda te amo tanto quanto no dia em que nos conhecemos, mas se você não quiser assumir esse amor não posso mais ficar com você, não posso pois não aguento mais ter que fingir não te amar, ter que fingir que não somos nada mais do que amigas, e em certas vezes ter que fingir que estou com outra pessoa, apenas não aguento mais.
Enquanto falava chorava, e a outra garota começava a fazer a mesma coisa.
Depois de pegar fôlego Lolo falou:
- Eu te amo, e eu te entendo, eu também não aguento mais isso.
Nesse ponto a outra garota começou a sorrir com o pensamento de que talvez seu amor aceitasse expor o namoro das duas, porém não demorou muito para seu sorriso cair e virar mais lágrimas que desciam pelo seu rosto sem qualquer consentimento, quando Lolo falou:
- Mas eu não posso falar para todo mundo, você sabe que eu não posso, você sabe que as pessoas ao seu redor não teriam problemas com isso, mas as pessoas ao meu redor, não aceitariam, não falariam mais comigo, fingiriam que eu não existo, que eu fui um erro em suas vidas, você sabe disso.
- Sim, eu sei disso, mas alguma hora, você querendo ou não, eles vão descobrir, uma hora querendo ou não, eles vão fazer tudo isso que você disse, com você ao meu lado ou não.
A de olhos castanhos felizes (que nessa hora não estavam nem um pouco felizes) respondeu aos prantos.
- Não! Eles não vão descobrir sem que eu queira, eles não podem!
- Sim, eles podem, e sim, eles vão.
As duas a esse ponto já tinham chorado tanto que poderiam ter formado um rio.
- Lolo, você pode não acreditar mas isso vai acontecer em algum momento, e se não acontecer, você vai ter que viver a vida toda embaixo das cobertas, fingindo ser alguém que não é, fingindo gostar de pessoas que você não gosta, e fingindo não gostar das pessoas que você gosta.
A discussão ficou assim por algum tempo, até que a latina disse:
- Eu não posso mais! Eu não posso mais! Nós terminamos! E não é por falta de amor por você, e sim por um pouco de amor a mim mesma! Mas sempre saiba de uma coisa, eu te amo, e provavelmente vou te amar sem importar o tempo ou o lugar.
Depois disso ela saiu de casa deixando a de olhos verdes no sofá chorando.
Tinham se passado alguns meses desde que as duas tinham terminado, alguns meses desde que as duas não se viam, alguns meses desde que as duas não se falavam.
Camz não estava bem, e muito menos feliz, porém conseguia fazer tudo em sua vida sem muitos problemas.
Lolo, por sua vez, não conseguia fazer nada direito, a não ser chorar à noite ao lembrar dos seus momentos felizes com seu amor.
Um dia as duas se encontraram em um café, ou quem sabe foi na rua, isso não importa, o que importa é que uma percebeu o estado da outra, as duas perceberam seu próprio estado, e então uma falou para outra, mas como se quisesse falar para si mesma:
- Eu... Eu te amo...
Depois disso as duas se beijaram como nunca tinham se beijado antes, se beijaram como se quisessem mostrar todo o amor que tinham uma pela outra.
Elas ficaram algum tempo desse jeito, até o ar faltar dos pulmões, e quando faltou Lolo falou:
- Vai na minha casa hoje, pois vou contar a minha família sobre nós, vou contar sobre mim.
A outra apenas confirmou sua presença, pois não sabia o que dizer.
Um pouco mais tarde as duas estavam com a  família de Lolo em um jantar.
O jantar acabou, e então a americana falou, a de olhos verdes contou, a garota que amava Camz anunciou e Lolo se libertou.
A latina se emocionou, a de olhos chocolate internamente dançou, a garota que amava Lolo amou e Camz a mão de Lolo segurou.
Por outro lado...
A família se chocou, os de olhos de cores misturadas indagaram, os seus "amigos" enjoaram, e aqueles que a amavam não julgaram.
- FIM, falou a mãe com algumas lágrimas rolando pelo rosto.
- Mãe, essa história é muito bonita! De onde você tirou?
- É baseado em uma história que muitas pessoas acreditam ser real e muitas acreditam ser apenas imaginação...
- E você acredita no quê?
- Eu acho que é real, meu filho...
- Mas e se não for?
- Meu filho, se não for, é uma das história de amor mais bonitas que já criaram...

terça-feira, 19 de setembro de 2017

ARROGÂNCIA, A QUALIDADE MENOS FEMININA DE TODAS

Faz pouco tempo, Leonardo do Masterchef recebeu ataques racistas. 
Ele não ganhou o prêmio do programa (quem ganhou foi Michele, a primeira negra a vencer a competição), e o público de modo geral não gostava dele, pois o achava arrogante. Mas, na ocasião dos ataques, ele disse algo muito relevante: que o que é visto como arrogância num negro, ou numa mulher, passa como auto-confiança e amor próprio num branco. 
Isso não é novidade, mas precisa ser lembrado a todo momento. O modo que a sociedade vê os "donos do mundo" é muito diferente de como vê pessoas de grupos historicamente oprimidos. Um comercial da Pantene feito nas Filipinas quatro anos atrás ilustrava bem isso. Enquanto um homem branco era visto como "chefe" (boss), uma mulher fazendo exatamente a mesma coisa que ele recebia o rótulo de "mandona" (bossy). Afinal, pra homens é natural mandar, é o que se espera deles. Já pras mulheres, o "natural", ainda para uma grande parcela do mundo, é obedecer. 
E nós mulheres internalizamos esses rótulos, essas diferenças de tratamento. Como aponta Gerda Lerner no seu formidável A Criação do Patriarcado (tratei dele aqui), as mulheres participam no processo de sua subordinação porque internalizam a ideia de sua inferioridade. Aprendemos a acreditar que precisamos de um homem protetor (a tal fábula do príncipe encantado que nós, frágeis princesas, ouvimos desde pequenas), e que isso está ligado a afeto. Existe uma chantagem emocional de perda de afeto da parte dos homens às mulheres que se rebelam. Quantas vezes não escutamos que "Se você se comportar assim, homem nenhum vai gostar de você" (ou: "papai não vai gostar mais de você")?
Desta forma, associando humildade e submissão a afeto e aprovação masculina (a única que importa, segundo nos informam), aprendemos a nos sabotar. Damos mais valor ao que um homem fala ou escreve (mesmo que seja sobre feminismo). Nos cobramos demais. Temos síndrome de impostora. Acreditamos que não somos boas o suficiente, que somos uma fraude, mesmo que sejamos brilhantes ou meramente "boas o suficiente" (que é o que basta, não? Pros homens costuma ser).  
Ano passado vi uma palestra na UFC da sempre brilhante Rosana Pinheiro Machado, antropóloga e professora visitante da USP. Ela lembrou que é comum um palestrante homem abrir sua fala com uma piada, enquanto as palestrantes mulheres (nas raras ocasiões em que somos convidadas, porque ainda tá cheio de mesa por aí só com homem branco) quase sempre começam uma palestra pedindo desculpas. 
Não acredita? Basta observar como mulheres reagem a elogios. Muitas ficam coradas, negam veementemente, se auto-depreciam. Recomendo este esquete hilário (em inglês) da Amy Schumer, em que amigas se encontram na rua e se elogiam, e cada uma responde com "Você tá bêbada? Vai se f*der! Eu tô é parecendo uma vaca!"
E é isso que se espera da gente: não podemos nos achar ótimas (nem no que fazemos há anos), não podemos aceitar elogios. Em maio a @FeministaJones fez um experimento social: decidiu agradecer (sem recusar) os elogios que recebia dos homens. Eles não gostaram nem um pouco -- como assim, você sabe que é linda?! Você nem é tudo isso não! Ou: é só isso que você tem a dizer? Só "obrigada"?! Ingrata!
(Não é nenhuma surpresa que homens aceitam mais elogios. De acordo com um estudo, elogios de homem pra homem foram aceitos 40% das vezes; elogios de mulher pra mulher só foram aceitos 22% das vezes). 
Não aceitamos elogios porque não queremos ser vistas como convencidas. Tudo bem um homem ser convencido. Isso conta como auto-confiança, como parte da sua força masculina. E o fato dos caras serem tão arrogantes que acham que manjam de todo e qualquer assunto e que podem homexplicá-lo a nós é uma velha estratégia de manter o poder. Como diz Rebecca Solnit, 
“É algo que nos deixa bem treinadas em duvidar de nós mesmas e a limitar nossas próprias possibilidades –- assim como treina os homens a ter essa atitude de autoconfiança total sem nenhuma base na realidade”. 
E Solnit adverte: devemos tomar cuidado para que a “autoconfiança esmagadora” de alguns homens não atropele as nossas “frágeis certezas”. “A credibilidade é uma ferramenta básica de sobrevivência”, diz ela. 
Esta sabotagem que o mundo e várias vezes nós mesmas cometemos contra as mulheres (contra nós mesmas!) rende frutos. Não pedimos aumento de salário (uma pesquisa na Austrália constatou que pedimos sim, o problema é que temos 25% menos de chance de ganhar esse aumento). Não procuramos uma vaga de emprego se não tivermos todas as qualificações exigidas (os homens não estão nem aí, eles mandam o currículo). 
Somos humildes, não contamos vantagem, não nos orgulhamos das nossas conquistas. Assim ajudamos a manter um sistema que é totalmente desfavorável a nós.
(É importante registrar que, mesmo que a gente não se auto-sabotasse, continuaria sendo sabotada pelo sistema. Mas é fundamental que a gente desconstrua os preconceitos que aprendemos e que tantas vezes nos prendem). 
Concordo totalmente com o que afirma Gerda Lerner: “Talvez o maior desafio para as mulheres pensadoras é o desafio de deixar o desejo por segurança e aprovação e ir para a qualidade 'menos feminina' de todas –- arrogância intelectual, o atrevimento supremo de quem quer reordenar o mundo. O atrevimento dos deuses, dos homens que fazem o sistema”.
É por isso que eu gosto tanto daquela cena da Hora Mais Escura (filme de 2012 de Kathryn Bigelow, questionável porque justifica a tortura da CIA) em que a agente do FBI, única mulher no recinto, esquecida num canto da sala de reunião, responde desta forma à pergunta “Quem é você?” que um fodão lhe faz: “Eu sou a motherfucker que encontrou este lugar, sir” (onde Bin Laden se refugiava). Muito melhor que continuar invisível!
Não vou negar que a autoconfiança em excesso pode produzir idiotas arrogantes (é só observar alguns homens pra ver o que acontece). Mas duvidar de nós mesmas o tempo todo pode ser paralisante. Precisamos deixar a modéstia de lado e nos impor. 

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

MAIS UMA VEZ COMPROVADA A FARSA QUE É OLAVO DE CARVALHO

A treta da vez é a carta aberta escrita por uma das filhas mais velhas de Olavo de Carvalho, Heloísa.
Olavo quem? Pois é, embora ele seja e o maior guru da extrema direita brasileira, hiper famoso na internet, tem muita gente que nunca ouviu falar nele. Vocês que são felizes.
Hoje católico fervoroso, Olavo mora nos EUA desde 2005, está na terceira esposa, e se auto-intitula astrólogo, filósofo, jornalista, professor e cientista político, apesar de nunca ter cursado qualquer faculdade. Aliás, odeia universidades, principalmente as brasileiras, que para ele e seus seguidores ora são inúteis, ora são centros de doutrinação (o que ele faz não é doutrinação, imagina). É campeão das teorias da conspiração. Seus fãs acreditam em tudo que ele diz e adotam como slogan "Olavo tem razão".
Olavo é um fenômeno da internet, que a alimenta e se alimenta dele. Pensamentos que na vida real gerariam longas risadas são levados a sério por aqui. Por exemplo: que nazismo foi de esquerda, que estávamos prestes a virar uma ditadura cubana se os militares não tivessem nos salvado em 1964, que Obama quis infectar o povo americano com o vírus ebola, que todos nós ativistas somos contratados pelo Soros, que a Inquisição nunca existiu e foi uma invenção dos protestantes, que a Pepsi usa células de fetos abortados como adoçante. Etc etc. Põe muitos etc aí.
Um dos ensinamentos (clique)
Porém, foi espalhando essas e muitas outras baboseiras que Olavo formou um séquito acéfalo e ultraconservador. E acabou com qualquer possibilidade de debate ou diálogo, já que o mestre ensina seus alunos que o mais importante é acabar com o adversário (o esquerdista). Em outras palavras: ele prega o ódio. 
Eu já fui alvo deste ódio várias vezes, não só através de seus seguidores (o que acontece diariamente), mas dele próprio. 
Os apelidos que ele inventou pra mim (Lola Barangovich é um deles) combinam mais com um menino da 4a série do que com um senhor de 70 anos (aliás, 4a série foi quando o garoto Olavo largou a escola), mas isso não é nada. Sério mesmo foi ele ter divulgado um site de ódio no meu nome, mesmo sabendo que não era meu. 
Na carta que Heloisa escreveu a Olavo, ela acusa o pai de ter sido ausente, de não ter ligado quando uma de suas esposas e filhos foram despejados, de ter sido também um filho ausente, de ter internado uma esposa (a mãe de Heloisa) num hospício duas vezes, de ter sido internado. O trecho mais alarmante parece ser este: "Lembra que, em um surto de loucura, colocou uma arma na cabeça dos seus filhos? E onde estava o pai da 'família margarina' que, quando soube que eu tinha sido abusada sexualmente, não fez absolutamente nada, e que há uns quatro meses ainda me culpou pelo abuso? Acho que você esqueceu de que eu só tinha 9 anos."
Num trecho, é impossível discordar dela: "E só não enxerga o que você está criando nas pessoas, usando o nome de Deus, quem é cego, pois eu vejo claramente, como já vi em outras épocas suas, um bando de pessoas insensatas, com ódio de tudo e de todos, que caem cegamente na sua pregação, criando um exército de intolerantes com seus semelhantes, e que, quando enxergarem, não vai ter psiquiatra e nem hospício suficiente para todos."
Heloisa ameaçou contar mais.
Olavo disse em suas redes sociais que não iria responder, e que deve esperar sentado quem quer que ele se pronuncie a cada fofoca. 
Como é do seu feitio, fez referências ao seu pênis e acusou os "Veadascos" (nem ideia quem sejam, mas parece que este é outro apelido infantil dado por Olavo para alguém que se chama Velasco) de "patrocinar" a carta. Além disso, alegou que Heloisa não foi educada por ele, e sim pela "parte comunista da família". E linkou para uma resposta de uma tal de Lu Arianov, que nem é da família (é filha de uma ex-aluna de Olavo). 
Clique para ampliar
Na resposta de Lu, um festival de machismo, em que ela não faz referência à arma apontada para a cabeça dos filhos. Diz ela: "Quanto aos ataques histéricos do seu pai, é verdade, mas isso prova que você teve MUITO BEM a quem puxar, já que fez exatamente a mesma coisa com quem quer que te desagrade de alguma forma". O trecho mais misógino é este, em que Lu sugere que tudo bem passar a mão na bunda de uma menina de 9 anos:
Noutro post, publicado por Olavo, Lu chama Heloisa de "louca, perigosa", "cadela sardenta", "não presta". 
É muito cinismo. muita baixaria (bem ao estilo do guru, que fala um palavrão a cada cinco palavras): Olavo afirma em seu twitter que não falou nem vai falar mal de Heloisa, ao mesmo tempo em que linka textos de uma pessoa xingando Heloisa de tudo quanto é nome. E vale lembrar que até cinco dias atrás "Lu" sequer estava nas redes sociais. 
É tudo muito sórdido, mas o que grita mais é o silêncio da direita. Ou atacam Heloisa ("toda família tem uma ovelha negra", dizem vários), ou ignoram, ou afirmam saber que Olavo não é santo ("eu já sabia que o senhor não é perfeito, mas é quase perfeito", escreveu um seguidor). E há os que se vangloriam do "passado pegador do professor":
(Eu sempre digo: uma das diferenças entre o machismo da esquerda e o machismo da direita é que a esquerda em geral tem vergonha de ser machista, enquanto a direita se orgulha do seu machismo).
Imagina se a filha de alguma figura de esquerda tivesse escrito a tal carta aberto dizendo exatamente a mesma coisa que Heloisa disse sobre Olavo -- como os olavetes estariam (re)agindo?
Alguém deixou este comentário no blog hoje:
Em outras palavras: 
Olavo já falou várias vezes que foi comunista, que fez parte de uma seita muçulmana, que não foi um bom pai. Isso não seria surpresa pra nenhum de seus seguidores, segundo a leitora. Ela diz ainda que Olavo "tem moral pra falar o que fala justamente porque já esteve enfiado no lixo todo". 
Taí algo que não entendo, esse discurso meio religioso de salvação. Pra eles, é melhor ter feito um monte de coisas que eles condenam e se arrepender depois do que não ter feito nada de errado em primeiro lugar. 
Tipo: uma conservadora que já fez aborto e se arrependeu tem "mais moral" pra falar sobre qualquer coisa do que uma mulher de esquerda que nunca abortou (tipo eu), mas defende a legalização do aborto. Um cara que foi comunista (pecado mortal pra eles) mas que hoje é reaça rábido tem "mais moral" que um esquerdista (tipo eu) que nunca foi comunista (mas, pra eles, eu sou). Um sujeito que já foi viciado e traficou drogas mas foi salvo por Cristo e hoje é pastor tem "mais moral" que uma feminista que nunca experimentou droga alguma (tipo eu). Olavo, que costuma ter surtos psicóticos e já esteve internado, tem "mais moral" que, sei lá, euzinha, que não sofro de qualquer distúrbio mental.
Eu lembro de mim nessas situações porque reaças me chamam (e chamam a todas as pessoas de esquerda) de aborteira, maconheira, vida louca, só louca, etc. Eles não me conhecem, nunca me viram pessoalmente, mas tiram todas essas conclusões sobre mim, e me condenam por isso, apenas por eu ser feminista e de esquerda (e mulher. Isso ajuda também). Mas o guru deles, que tem um passado infinitamente mais sujo do que qualquer coisa que eu já fiz, ah, esse pode tudo, "sua vida pessoal não nos interessa, professor". 
Isso se chama hipocrisia. A vida pessoal do charlatão realmente não me interessa. O que me interessa é o mal que ele causa, as mentes que adestra, o ódio que inspira, as vidas que ele destrói. Este comentário de uma mãe define o comportamento da maioria dos mascus:
Tenho certeza que é justamente o mau caratismo do guru que é tão inspirador pra tanta gente.